Cláudio Felisoni, Presidente do PROVAR
O mês é de folia por causa do carnaval, mas o varejo – que
no ano passado liderou, mais uma vez, os investimentos publicitários com R$19,6
bilhões aportados, segundo o Ibope Media -, com certa cautela, também pode
comemorar. Isso porque, segundo pesquisa realizada pelo Programa de
Administração do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA),
e pela Felisoni Consultores Associados, 56,8% dos paulistanos pretendem ir às
compras para adquirir um bem durável neste primeiro trimestre do ano, o ano que
representa um leve crescimento de 0,8% em relação ao último trimestre do ano
passado.
De
acordo com Cláudio Felisoni, presidente do Provar, esse aumento nas vendas é
reflexo de um Natal de lembrancinhas. O consumidor mais cauteloso acumulou
“certa gordurinha” do 13º salário para pagar as contas de começo de ano e
aproveitar as liquidações pós-Natal. Apesar da expectativa de crescimento em
relação ao último trimestre de 2012, na comparação com os primeiros três meses
do ano passado houve queda de 3,8 pontos.
Entre
os produtos que mais despertam o desejo de consumo estão em primeiríssimo lugar
vestuário e calçados, com 18% das intenções de compra. Propagandas para esse
setor somaram mais de R$ 1 bilhão em 2012. A categoria de informática ocupa 11%
das intenções de compra, seguida pela de viagem, com 10%.
Ainda
de acordo com o levantamento, dois movimentos merecem destaque. O primeiro
deles, o setor de brinquedos, foi o único a apresentar alta na intenção de
compras neste primeiro trimestre (3,1%) em relação ao mesmo período do ano
passado. Para chegar a esse resultado, os esforços publicitários empreendidos
somaram mais de R$700 milhões, que foram investidos ao longo de 2012. Outra ressalva
são as compras pela internet, que sofreram queda de 1,9 pontos, atingindo o
patamar de 83,9%. De acordo com Cristina Rother, da e-bit, um dos motivos do
desempenho inferior das compras on-line foi a ressaca depois da Black Friday,
que atingiu um aumento de 148% das vendas. “Creio também que o não cumprimento
dos prazos de entrega, que passaram de 13% antes do Natal, para 18% na época,
desanimou o consumidor”, explica Cristina.
Mas,
para aqueles que ainda trabalham para atrair a atenção do consumidor e
abocanhar parte de seus recursos, fica a dica: é preciso ser eficiente, pois
apenas 11,4% da renda mensal familiar poderá ser disponibilizada para novos
gastos, segundo a pesquisa. O orçamento das famílias está dividido em
alimentação (22,1%), educação (20%) e crediários (14,8%).
Para
Felisoni, embora menos pessoas queiram comprar, “essas” estão dispostas a
gastar mais. “Porém o aumento é ponderado.” O professor do Provar alerta para o
fato de que medidas adotadas pelo governo federal para estimular o consumo são
paliativas e com o tempo perderão força. Reflexo dessa situação é a leve alta
no ânimo do consumidor para gastar, apesar de o Brasil possuir atualmente taxas
de juros mais baixas, desde 1994, crédito farto e longo prazo para pagamentos.
“É necessário mais investimentos na cadeia produtiva para beneficiar todos os
setores da economia”, finaliza.
Além de
sinalizar o ânimo de compras dos consumidores, a direção das compras e do
crediário, o estudo também fez projeções de que a inadimplência deve ter uma
ligeira queda, começando em março. “Depois do pagamento de taxas como IPVA,
IPTU, alguns resquícios do Natal e da aquisição de material escolar”, salienta
Felisoni. A pesquisa foi realizada com 500 consumidores da cidade de São Paulo
e avalia a intenção de compra e o gasto com diversos segmentos, como
eletroeletrônico, informática, cine e foto, móveis, telefonia e celulares,
material de construção, linha branca, vestuário e calçados, automóveis e motos,
eletroportáteis e viagens.
Outra
avaliação positiva ao varejo vem da Associação Brasileira de Supermercados
(Abras), que projeta crescimento de 3,5% para este ano. “Para 2013, nossa
perspectiva é que essa tendência continue, o que nos faz traçar uma estimativa
de mais um ano positivo para o setor”, diz o presidente da Abras, Fernando
Yamada. Em 2012 o setor obteve crescimento de 5,3%.




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